24 de setembro de 2007

COISAS MAIS IMPORTANTES...

estão a acontecer do outro lado do mundo. A eterna junta militar que mantém a Birmânia debaixo do seu jugo há muito tempo está a ser confrontada com a maior manifestação de protesto, de sempre. Aos milhares de monges juntou-se a população. Até ao momento em que escrevo ainda não foi aberto fogo sobre os manifestantes, nem há prisões. Vamos ver no que dá. Quando a China se defrontou com Tianamen (já vou ver como é que se escreve) também parecia que as coisas iriam mudar. Afinal, a ditadura continua lá. Só que com mais dinheiro, o que não nos descansa.
Voltando à Birmânia, esperemos que seja desta vez que a presidente eleita há 17 anos e em prisão domiciliária, seja libertada.
Mais informação aqui.

O PROBLEMA FLUVIAL

Antes, tinha no sítio deste post, um outro, em que mostrava a minha surpresa com a escolha do título RIO DAS FLORES, por parte da minha editora, para o novo livro de Miguel Sousa Tavares. Um rio, ainda que da Glória, por ano, deveria ser suficiente...
Retirei-o.
Para quê fazer chover no molhado?

22 de setembro de 2007

DIA EUROPEU SEM CARROS

Agora que já vai longe o tempo em que a criatura de cabelo lambido por um cão (Gucci), conhecida por Santana Lopes declarou este dia como "uma palhaçada", ele voltou.
Lisboa,entre outras cidades, fica um dia com menos trânsito, menos poluição sonora e atmosférica.
Há muitas alternativas urbanas aos carros poluentes. A Segway por exemplo.
Este é o modelo que se usa nas cidades europeias:



Mas eu aconselharia para Lisboa, este. Tem mais a ver com as condições do terreno...

20 de setembro de 2007

UM LINK

Por distracção minha, não tinha dado pelo blogue dos booktailors. Para quem se interessa pela edição e pelos seus meandros, é o sítio ideal para visitar (também indicam alguns empregos na área).

ps: Ver de perto a história da Bertrand que depois de andar anos a abrir lojas, não pagando às editoras, decidiu agora pedir descontos, ao que parece, absurdos. Eu, como tenho os meus livros (dignamente acompanhados por outros literariamente mais importantes) no fundinho das lojas, já desisti há muito tempo de lá comprar alguma coisa. Embora, as permanentes e fascinantes conversas telefónicas das empregadas para as famílias e amigos justifiquem a deslocação...
REDE

Embora esteja nos comentários, destaco a pista que nos enviou o Jorge V.N. AQUI e AQUI.

E respondendo à Olinda, basta fazer chegar aqui a informação de um link ou de um trabalho de que se ouviu falar. Pistas que possam ajudar alguém a melhorar esta ridícula pobreza envergonhada de tantos agentes culturais. Há milhares de "intermitentes" que agradecem.E quanto mais persistentes formos mais as "formigas" construirão os seus estranhos e indispensáveis "formigueiros".
;)

19 de setembro de 2007

AQUILINO

Basta ler o primeiro parágrafo de QUANDO OS LOBOS UIVAM para se perceber imediatamente a diferença entre um grande escritor e um bluff com amigos nos jornais. É denso, emocionante e toca os sentimentos humanos de uma forma "carnal", visceral.
Ao carregar-lhe com os ossos para o Panteão, o "Estado" na figura do governo ou de algum departamento ministerial de que desconheço o nome (Gabinete de Relicária?) julga cumprir o seu dever para com o escritor. Não cumpre. Cumpriríamos todos se o lêssemos. Se soubessemos do que se está a falar quando se discute o seu trabalho. Se um grupo numeroso de pessoas entendesse por que razão alguém se lembrou desta homenagem.
Aquilino cumpre, aos olhos desta gente, apenas dois critérios: ouviram falar do nome e está morto.
A ministra fala de "escritor regional" (como falou de "divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro" no funeral de EPC. Adjectivos não lhe faltam...). Tem razão. Embora do quintal dele se visse o interior dos homens.

No momento em que escrevo, a RTP transmite (acabou de) em directo a cerimónia. Levou câmaras, gruas, carros de exterior e a menina que apresentava a bola e que agora apresenta jornais. De caminho juntou-lhe uma outra jovenzinha que não um faz um boi de ideia sobre quem foi o homem. Sabe que está morto e que escreveu livros que ela nunca leu ou lerá. A RTP, paga com o nosso dinheiro, cobre este acontecimento com o desprendimento ignorante com que sempre se vestiu. Manda os piores fazer o trabalho chato.
Salvaram-se os comentários do meu amigo Baptista Bastos, pedagógico e paciente com toda aquela manifestação ignara. Alguém que tinha alguma coisa a dizer no meio... daquilo. Bem-haja pelo esforço.

18 de setembro de 2007

PERSEPOLIS

O filme de Marjane Satrapi, a partir da série (maravilhosa) de livros, terá ante-estreia na Festa do Cinema Francês. A partir da história verídica da autora, obrigada a abandonar o seu país tomado pelos radicais islâmicos.
A não perder.
Check out this video: Persepolis - Bande Annonce "Clip"



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Aqui, uma entrevista de Marjane.
REDE NÃO ESTÁS SOZINHO

Escrevi a alguns amigos o seguinte texto (abreviado):
"RNES.
Parece-me que era bom irmos criando redes informais de sobrevivência. Numa altura em que a Cultura só não caiu no limbo, porque o Vaticano se lembrou que afinal nunca houve limbo (Céu e Inferno, tudo limpinho e directo), parece-me interessante pensarmos uns nos outros, em vez de nos safarmos sozinhos e a custo.
Estas iniciais, por exemplo, são para Rede Não Estás Sozinho. São apenas iniciais, mas que significam que poderemos trocar entre nós, dificuldades e oportunidades. Pequenos trabalhos, disponibilidades, oportunidades de que se ouviu falar e que não servindo para nós podem ser úteis a outros(...)Passemos palavra uns aos outros.
Vamos esquecer por um bocadinho o egoísmo nacional e pensar em rede. Ou, neste caso, para bem dos outros em RNES."

Responderam todos, com ideias e propostas. O que me mostrou que não, não estamos sozinhos.
Daí que expanda a ideia:
Para quem quiser usar este blogue para pedir honestamente trabalho, temporário, ou não, ou, do outro lado, dar conhecimento de funções, artísticas ou não, mas que possam ajudar a sobreviver à intermitência da Cultura em Portugal, façam favor. Usem o e-mail, ou até os comentários, que eu publico em seguida.
Onion Tv

No mês em que o 11 de Setembro é lembrado, nada melhor do que ver o que a Oniontv apurou sobre o caso...

17 de setembro de 2007

OS MUNDOS CIBERNÉTICOS

Como diria uma tia de Cascais: "É só rir!".
Hoje a minha viagem foi pelo Hi5...
fiquei a saber que o Herman anda com poucos amigos (161). Mas que uma das amigas dele tem mais de 700... E que um deles se chama "Botas"... e que o Botas, por sua vez, tem uma amiga que gosta muito dele. O texto dela foi;
"Ola lindo,tenho saudades das tuas maos no meu corpo...Beijos doces minha botinha linda...Adore-te"
Kida Filipinha nós também te "aderamos"!

Ps: se quiserem fazer como o António que a acha uma "miúda giríssima" podem ir aqui e de lá até ao fim do mundo...


Este é o António

15 de setembro de 2007

INTERMITENTES

"Aviso a todos os profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual

(encontro no próximo dia 17 de Setembro, 2ª feira, às 21h30m na RE.AL (Rua do Poço dos Negros n.º55)"

Era bom que este executivo percebesse que uma coisa é teimar com quem viveu sempre rodeado de privilégios e nem concebe que lhes possam tocar (os farmacêuticos, por exemplo)outra é não quer ver o grito de quem sofre. Mesmo mantendo um gabinete gerido por incompetentes como é o da Cultura,a chefia do executivo deveria ser sensível à nuance... Muitos foram os que votaram neles baseados na expectativa dessa sensibilidade.

13 de setembro de 2007

CHOQUE TECNOLÓGICO

Esta tarde, dois irmãos idosos da minha família viram-se em vídeo pelo messenger, depois de mais de um ano sem se terem avistado.
Pode parecer insignificante. Não foi.
Fiquei até a saber que para esta geração, os homens não choram. Vêm-lhes é lágrimas aos olhos.

11 de setembro de 2007

DOWN DOWN AND AWAY!!!
Hoje soube de duas jovens realizadoras: uma já emigrou e outra prepara as malas.
Não têm dinheiro para pagar a renda. Vão para fora, onde ao menos podem comer descansadas.
Primeiro foram os que cheiraram no ar a tempestade, agora os que não vislumbram futuro. Em breve, o resto dos melhores.
Vamos ver quem sobra.

10 de setembro de 2007

MANÁ ENVENENADO

É difícil decidir o que é pior: uma matinal vizinha que estremunha os pardais gritando para o interior das escadas do prédio, ou um emigrante que mora nas traseiras e que não tem medo de fazer karaoke de temas como "Cheguei! Cheguei!".
Deus, na sua infinita distracção, julgou estar a fazer-me um favor e concedeu-me os dois...
(suspiro)


INTERMITENTES

Li o projecto de lei que regulamentará a situação dos milhares de indivíduos que ganham a sua vida no campo artístico, sem protecção de qualquer espécie e na total incerteza de ter o que comer vários meses por ano. Pareceu-me uma imbecilidade, ou não viesse do actual gabinete da Ministra da Cultura. Perante uma situação da maior urgência e preocupação estas criaturas propõem uma série de movimentos contratuais que não resolvem coisa nenhuma. Um documento tão incompetente que todos os outros que li eram melhores, incluindo os do PCP e do BE (bom, o do CDS não se percebia e o PSD não faz ideia de que alguém possa estar interessado em trabalhar na zona artística a não ser de nome e para ter um tacho...).
E contudo, as reivindicações são simples: a) queremos descontar tudo o que for devido ENQUANTO SE TRABALHA, b) quando não tivermos trabalho gostaríamos de receber subsídio de desemprego DE ACORDO COM OS DESCONTOS FEITOS.
Isto é complicado de perceber? Só um gabinete de gente estúpida é que não entenderia.
FESTIVAIS

Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.

E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.

Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.

7 de setembro de 2007


ABRE A BOCA PASSARINHO QUE A MAMÃ QUER REGORGITAR A MINHOCA

Uma carta enviada a um jornal nacional reflectia de forma solar o pensamento de uma grande fatia das gerações pós-1975.
Um senhor, jovem, presumo, protestava sarcasticamente contra a ideia do actual governo em promover protocolos entre a Banca e o Estado para o empréstimo a estudantes. O rapaz odiava esta ideia de ter de se trabalhar para pagar os estudos. DE ELE ter de trabalhar para pagar o benefício que recebeu. O fim da universidade descontraída e feliz, da mama do Estado, depois da mama da mãe.
A nossa democracia criou milhões de indivíduos que acreditam que o dinheiro cai do céu e que não é preciso fazer mais do que gritar ou chorar para que ele apareça. Primeiro a casa dos pais até aos 20 ou 30 anos, depois o Estado-Providência. Caberia, nesta visão, aos outros a responsabilidade pelo seu bem-estar. Escola certinha e de borla, emprego certinho e de pouco esforço, reforma cedo para poder ir em cruzeiros pelo Mediterrâneo e assim sucessivamente. Esta ideia da Família-Estado já foi tentada, amigos. Durante décadas na União Soviética, só para dar um exemplo. Mas não só não resultou, por contrária à natureza empreendedora que reside no interior dos seres humanos (aparentemente, dos portugueses, nem por isso…), como conduziu a inevitáveis racionamentos de bens, fecho ao resto do mundo e privação de liberdades várias.
Sugeria que começassem a trabalhar, a responsabilizar-se pela educação e desenvolvimento pessoal. Porque os papás, mesmo os papás-estado, morrem um dia.


CONTOS DE TERROR

Foi ontem o lançamento da colectânea de contos de terror, "CONTOS DE TERROR DO HOMEM-PEIXE", pela editora que tem o maravilhoso nome "Chimpazé Intelectual".
É uma boa ideia, juntar escritores mais conhecidos ("mainstream", como diria um dos autores convidados) com outros menos conhecidos ("lowstream"?), acrescentando ainda os vencedores do concurso de contos ("futureornotstream") promovido no âmbito do Festival de Terror, Motelx. Isso torna a coisa mais diversificada e atenua o inevitável desiquilíbrio das encomendas literárias.
Para mim, foi uma boa experiência pensar um género específico. Normalmente, quando escrevo um conto ou romance, trabalho sem referências ou rede. E isso... é muito mais assustador.
Também foi bom ver a sala cheia de gente a assistir ao lançamento. O terror e o festival de cinema MOTELX estão, também por este lado, de parabéns.

4 de setembro de 2007

RENTREE

Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.

2 de setembro de 2007

MUSEUS

Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).

Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...